Vídeo da campanha Defenda-se orienta crianças sobre como aproveitar o Carnaval de forma segura

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A fim de contribuir com as mobilizações nacionais de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes, a Rede Marista de Solidariedade, por meio do Centro Marista de Defesa da Infância, reforça a importância da autodefesa de meninos e meninas contra a violência sexual durante o Carnaval, período em que há um aumento de 20% nas denúncias de violações de direitos de crianças, segundo dados do Disque 100.

Segundo Vinícius Gallon, coordenador da campanha Defenda-se, “neste período, por estarem fora da escola, e, muitas vezes, ficarem sozinhas sem atividades mediadas por pessoas de confiança, as crianças ficam mais expostas à violência. Pela grande movimentação de turistas brasileiros e estrangeiros, aumentam os casos de exploração e abuso sexual, e do tráfico de pessoas. Por isso, é importante alertar os meninos e as meninas sobre os cuidados que devem ter durante as festas dentro e fora de casa e estimular a autodefesa contra a violência sexual.”.

De acordo com o último balanço anual do Disque 100, realizado em 2015, das 153.510 denúncias de violações de direitos humanos feitas ao canal, 11,42% (17.583) foram de violência sexual (abuso e exploração). Desse total, 45% foram contra meninas e 39% contra meninos. Entre as principais vítimas estão as crianças de 4 a 11 anos, público prioritário da campanha Defenda-se, com 40% das denúncias. Também é expressiva a prevalência de registros de violência sexual contra a população negra ou parda, que soma 34% de todas as denúncias. Esse número pode ser ainda maior, se levado em conta que 42% dos denunciantes não informam a cor da vítima.

Outro dado que merece destaque é a participação de adolescentes LGBT como demandantes das denúncias. Ao todo, foram 96 meninos e meninas gays, lésbicas, trans, e bissexuais, que ao sofrerem violência sexual ligaram para o disque 100 para fazer a denúncia. “A contribuição da Campanha Defenda-se tem sido exatamente neste sentido. Fomentar que, por meio de uma informação de qualidade e em linguagem amigável, própria para os diferentes períodos do desenvolvimento infantil, as próprias crianças consigam identificar as diversas expressões da violência sexual, reconhecendo os seus direitos sexuais”, afirma Vinícius.

A Secretaria de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos também divulgou uma parcial dos dados do Disque 100 para o primeiro semestre de 2016. De janeiro a junho, das 79.587 denúncias registradas no canal, 8.891 (11,17%) foram de violência sexual contra crianças e adolescentes.

A Campanha

A série de vídeos educativos traz orientações sobre como as crianças podem se defender nessas e em outras ocasiões. O vídeo que aborda especificamente a autodefesa no Carnaval apresenta orientações como a utilização de uma pulseirinha ou crachá de identificação com nome completo e contato dos responsáveis; estar sempre acompanhada de alguém de confiança; combinar com os pais ou responsáveis um local de referência, caso se perca; evitar ficar sozinha em locais escuros e que pareçam perigosos; não dar atenção a estranhos que a abordem para conversar, passear, oferecer dinheiro ou doces; conhecer seu próprio corpo, identificando os carinhos que fazem mal, daqueles que fazem bem.

“Como uma das particularidades desse período é a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no contexto do turismo e o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, é importante destacar a relevância de a criança estar sempre protegida por pessoas de confiança. Mas, caso a criança fique sozinha em algum momento, deve saber que se algo estranho acontecer, deve contar para alguém em quem confie, procurar os canais de denúncia como o Dique 100, e os equipamentos públicos que costumam circular durante as festas, como a Polícia, o Corpo de Bombeiros, a Ambulância do Posto de Saúde e o Conselho Tutelar”, orienta Vinícius.